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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sala de aula construtivista...Professor construtivista




Ser construtivista é acreditar que o conhecimento não é transmitido de uma pessoa para outra, mas construído através da atuação do próprio indivíduo sobre o que deve ser conhecido. Essa atuação consiste em observar, explorar, pesquisar, comparar, relacionar, discriminar, levantar hipóteses, concluir, posicionar-se... Ser construtivista implica em considerar o que o aluno já vivenciou e já conhece sobre determinado conteúdo, estabelecendo metas que resultem em uma ampliação de seu conhecimento inicial.
O professor construtivista acredita no poder da informação como forma de ampliar o conhecimento do aluno. Ser construtivista é trabalhar sempre com desafios que permitam ao aluno ir além do que sabe, fazendo-o buscar soluções que superem sempre as já conhecidas. Ser construtivista é oferecer ao aluno oportunidades de respostas, caminhos e soluções variadas e criativas, estabelecendo entre eles a troca das muitas possibilidades do pensamento. A criança constrói o conhecimento a partir de suas descobertas, quando em contato com o mundo e com os objetos. Por isso o trabalho de educar não é transmitir conteúdos, mas a favorecer a atividade mental do aluno.
Por tudo isso, creio que a atividade realizada contemplou de todas as maneiras o significado de construtivismo.

Refletindo sobre aprendizagem

Durante toda nossa vida aprendemos...desde que nascemos! Cada aprendizagem é única e necessária, nem que seja para dizer que não nos serve.
Na nossa vida, aprendemos de duas maneiras: pelo amor ou pela dor!
Pelo amor é a aprendizagem prazerosa, sem gritos, na paz, na harmonia...
A aprendizagem pela dor é aquela que envolve sofrimento, dor, mágoas...ou aquela que damos muitas voltas para chegar ao óbvio, aquela difícil de aprender, de interiorizar.
Jesus nos ensinou pelo amor. Nós, professores, acredito que na sua maioria (E eu preciso acreditar nisso!), ensinamos pelo amor...porém quando o aluno não aprende, apelamos pela dor, ou seja a aprendizagem repetitiva, gritando, barrando os recreios, as brincadeiras...confesso que tenho extrema dificuldade de ensinar pela dor! Mas não sou santa, já utilizei esses meios.
Relatar uma aprendizagem que seja significativa é muito difícil, pois valorizo e prezo tudo que aprendi . Tudo é necessário e importante seja para o amadurecimento, crescimento moral ou intelectual, enfim. Escolhi para o meu relato uma aprendizagem que está latente e durante quase dois anos é diária: Ser mãe.
Como citei antes faz quase dois anos que adotei um menino, que se chama William e hoje tem nove anos. Eu, até então, nunca tinha tido essa experiência e precisei aprender muito. Na prática!
A adoção não foi uma coisa planejada. Desde que eu decidi, até o momento que ele veio, definitivo, se passaram uma semana e três dias. Foi tudo “meio sem pensar”, era uma necessidade do momento. Quando a criança veio realmente para ficar, pensei: E agora? Que faço? E fui aprendendo com os dias.
Foi muito difícil no início, pois ele chegou em uma hora que estava bastante atarefada, tive que abrir mão de algumas coisas, coisas importantes para mim, mas era muito mais importante a atenção que ele precisava. Como não estava tudo legalizado, não tive nem um dia de licença do trabalho. Contei com a solidariedade de algumas pessoas até achar um lugar para ele ficar enquanto trabalhava. Como ele chegou no “meio do mês”, estava com pouco dinheiro, ele veio só com a roupa do corpo, tive que comprar tudo, desde roupas, brinquedos e até o material escolar. Como ainda não havia feito frio, não tinha comprado roupas de inverno, mas logo na primeira semana, o tempo mudou e a partir do início da tarde esfriou, fiquei desesperada no meu trabalho sem saber o que fazer, não demorou, uma amiga me ligou dizendo que havia comprado uma jaqueta pro William e que ele já estava com ela, foi mágico, bem na hora, sem ninguém saber da minha angustia, só pode ser coisa de mãe mesmo. Com isso mais uma vez aprendi que nunca estamos sós!
Assim fomos vivendo e aprendendo a cada dia eu com ele e ele comigo. Não é uma tarefa fácil, mas também nunca achei que seria, porém é gratificante, principalmente quando crescemos.
Como ele já veio no ano que completaria oito anos, já tinha toda uma vida antes, precisei de muito amor e disciplina, e ainda preciso. Com a experiência de professora, eu sabia identificar muito bem quando os pais estragavam uma criança, usei tudo isso como exemplos que intitulei de “coisas que não se deve fazer” e os exemplos de mães que eu admirava, tentei me inspirar nelas.
Não me arrependo do que fiz, pelo contrário, mesmo tendo agido por impulso acredito que tomei a melhor decisão, ver ele feliz, crescendo saudável e progredindo é muito gratificante.
Não sei se sou uma boa mãe, mas minhas intenções são as melhores possíveis. A aprendizagem é diária e constante. Mas é intensa! É generosa!
Não quero chegar adiante me culpando por ter deixado de fazer, por isso vivo todo instante educando, amando, cobrando, ...sobretudo aprendendo com aquele ser que de uma forma ou de outra me foi confiado!









Desenvolvimento Moral




Ao ler o texto de Jaqueline Picetti, Significações de violência na Escola: Equívocos da compreensão dos processos de desenvolvimento moral na criança?, reportei-me para as minhas experiências que envolviam desenvolvimento moral e foi inevitável relacionar com a minha chegada na Vila Iguaçu, lugar onde fica minha escola. Quero afirmar que é possível uma transformação,por isso quero dividir essa minha experiência para que outros educadores a tenham como referência e que não percam a fé na vida futura. Tudo é possível quando amamos e acreditamos...



Este relato se inicia muito antes de eu conhecer o espaço onde iria exercer minha profissão. Já na prefeitura ao assinar minha nomeação uma funcionária me alertou sem muitos rodeios, de que eu não fazia idéia do lugar onde iria lecionar, fazendo referência à criminalidade. Para não me perder no primeiro dia, resolvi conhecer o local e ao pedir informações sobre a localização (coincidentemente para um vigilante), este se prontificou a me escoltar até a escola, me orientando para jamais andar sozinha naquelas redondezas à noite pois já passava um pouco das dezenove horas. Já fiquei um pouco apreensiva mas nada que ofuscasse o meu contentamento por ter sido chamada no concurso público.
Para falar de moralidade na sala de aula, me reporto ao ano de 2006 quando ingressei na rede municipal do município de Novo Hamburgo. Foi então que aconteceu o “divisor de águas” da minha carreira profissional, onde também fortaleceria a certeza de que meu trabalho realmente vale a pena pois antes trabalhava durante sete anos no “pacato” município de Nova Hartz.
Já no primeiro dia lecionando na Vila Iguaçu em Novo Hamburgo, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Vereador Arnaldo Reinhardt, houve uma mudança radical na minha vida. Antes de entrar na sala de aula o sentimento foi horrível; os alunos se empurrando, se chutando e se ofendendo com palavrões já na fila. Logo que adentramos uma menina subiu na classe e disse: - “Sai daqui! Eu quero a minha professora do ano passado! Vou quebrar toda a sala que nem quebrei no ano passado. Esses demonhos (sic) de colegas, quero matar todo mundo!”
Os colegas prontamente reagiram. Um deu um tapa nela e outro a ofendeu também. Tive que segurar um aluno e colocá-lo no seu lugar, e disse: -“Querida. Eu já vi que você está aqui. Tua professora devia ser muito amada mas agora eu estou aqui. Quero primeiro que me conheças antes de não gostar de mim. Não peço que me ames, mas sim que me respeite. Se quiser me amar também aceito.”
Acho que os colegas gostaram da resposta pois a maioria sorria tão bonito para mim que guardo comigo até hoje a lembrança daqueles sorrisos. Como se não bastasse tudo que havia acontecido, a escola não havia providenciado as cópias de que precisava para dar a aula e foi necessário improvisar. Mas como acredito que estava muito bem amparada e intuída, lembrei-me de uma mensagem própria para aquele momento intitulada “Notas Breves” de Francisco Cândido Xavier que eu havia decorado para uma apresentação, trabalhamos aquele texto durante a tarde e elaboramos até um cartaz que ficou exposto meses na sala. Eram palavras providenciais para aquele momento. Tanto que até hoje as utilizo no primeiro dia de aula das novas turmas. Podemos dizer que a primeira crença está ligada a uma concepção de que o ambiente imprime na pessoa o modo de ser e de se comportar, isto é, uma concepção empirista, acreditando que há uma pressão das coisas sobre o espírito e considerando a experiência como algo que se impõe por si mesmo, não havendo necessidade da atividade do sujeito (Piaget, 1987). Vi que apesar da agressividade eles se interessavam em fazer as tarefas, exceto um menino que não havia feito nada e já se aproximava o final da aula. Quando cheguei perto dele, ele levantou jogou seu caderno no lixo dizendo: - “Essa porcaria de caderno!” Eu quis intervir... mas ele logo me interrompeu dizendo: - “Eu não gosto de ti, eu não vou fazer nada contigo, eu gosto da Patrícia, a minha outra professora!” Eu pensei, “de novo não!” Logo deu o sinal e eles saíram todos correndo freneticamente, menos uma menina que veio me dar um beijo e disse: - “Eu gostei de ti e da aula. Não liga pra eles... Eles são assim mesmo!”
Fui para casa chorando, apavorada pois nunca tinha visto tanta agressividade de perto; pensei até que haviam me “presenteado” com aquela turma já que eu era nova na escola. Mas eu não podia recuar, não iria desistir assim de um concurso público. Comecei analisar e refletir sobre todos os aspectos daquela aula e vi que não era nada comigo, não era pessoal. Eram carências, carências de tudo; material, afeto, dignidade, etc. lembrei-me que desde cedo aprendi que na vida só existe dois caminhos: o da dor e o do amor. E foi isso que fiz! Já na aula seguinte iniciei falando sobre esses dois caminhos e que a escolha era de cada um. No caminho do amor, as nossas aulas seriam agradáveis, a aprendizagem seria constante... no caminho da dor as aulas seriam repreensivas , com “castigos”, bilhetes e outras intervenções chatas que fossem necessárias. Mas eu já havia decidido que seria pelo amor (eles não sabiam...). Cada vez que acontecia um ato agressivo, nós conversávamos no geral sobre respeito, direitos e deveres. Com base nesta referência, é possível afirmar que as crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental (7 – 10 anos) estão construindo as noções de justiça, solidariedade, intencionalidade e responsabilidade. Esse processo tem características peculiares que incidem no comportamento. Durante essa construção, é importante que o professor esteja atento aos acontecimentos, pois ele poderá auxiliar as crianças a refletirem sobre as diferentes situações vivenciadas na escola (Jaqueline Picetti).
Como haviam vários segmentos religiosos na sala, falávamos também dos exemplos de Jesus. O nosso cartaz de regras era de apenas uma frase de Jesus: “Faça aos outros somente aquilo que gostar que os outros façam a você! Foi um trabalho de persistência e paciência, mas as mudanças foram acontecendo aos poucos. Eu os tratava com muito carinho e eles me tratavam como uma rainha. Ainda precisavam melhorar com os colegas... Haviam aulas em que eu trabalhava mais moral do que o conteúdo. Comecei a adaptar os textos de Português que trabalhava cuidando para que tivessem uma moral em suas conclusões. Na Matemática, trabalhamos com situações-problemas que tinham relação com a realidade das crianças, para que aprendessem a conhecer quem eram seus colegas. Aos poucos a turma foi se unindo de uma maneira tão notável que eram ótimos os progressos no comportamento e até na aprendizagem. Aquela menina que chamou minha atenção no primeiro dia... que queria quebrar tudo... continuava desferindo palavras de baixo calão, porém se aquietava logo que recebia um abraço. Era como se o abraço fosse o “botão de desliga”. Descobri que tudo que eles queriam era carinho, proteção, amor e oportunidades... coisas básicas que não tinham em casa e eu tentava suprir nessas quatro horas que passávamos juntos. Nos envolvemos de tal forma que progredi junto com a turma no ano seguinte. Foi maravilhoso...
Saímos dos muros da escola, vencemos um Festival Estadual de Esquetes Teatrais e apresentamos na Feira do Livro de Porto Alegre. Agora o nome da vila não aparecia apenas nas páginas policiais; mas nas páginas culturais com ênfase e para orgulho de toda a comunidade. A turma obteve 99% de aprovação e a maioria hoje está na 6ª série. Com freqüência alguns aparecem na escola para falar comigo. Foi uma troca muito grande onde eu ensinei o amor e eles me ensinaram a repensar minha prática valorizando ainda mais os objetivos de ser uma professora para a vida em todos os sentidos.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Mapas conceituais



Os estágios do desenvolvimento humano



Segundo Piaget, a espécie humana é caracterizada por 4 períodos no decorrer do seu processo evolutivo que são identificados "por aquilo que o indivíduo consegue fazer melhor" no decorrer das diversas faixas etárias ao longo do seu processo de desenvolvimento. São eles:

SENSÓRIO MOTOR:
Ocorre em torno do 0 aos 2 anos, neste estádio o desenvolvimento vai da atividade reflexa à representação e solução de problemas.Surgem os sentimentos de gostar e não gostar, e a fase do egocentrismo, ou seja a afetividade é investida no eu.

PRÉ-OPERACIONAL:Ocorre em torno dos 2 aos 7 anos. É marcado pelo desenvolvimento da linguagem. Pensamento e linguagem são egocêntricos, tem início a socialização.
Neste estágio o desenvolvimento caminha da representação sócio-motora ao pensamento pré-lógico e a solução de problemas.


OPERAÇÕES CONCRETAS:
Ocorre dos 7 aos 11 anos. O desenvolvimento vai do pensamento pré-lógico a solução dos problemas concretos. Aparecimento da vontade, início da autonomia, a intencionalidade é construída. O pensamento adquiri reversibilidade. Pode solucionar problemas de conservação, as operações lógicas são aplicadas na solução de problemas concretos.

OPERAÇÕES FORMAIS:
Ocorre dos 11 aos 15 anos. Neste período a criança, ou o adolescente pode resolver todo tipo de problema logicamente. Surge a emergência dos sentimentos idealistas e a formação da personalidade. Solucionam os problemas verbais e hipotéticos, faz uso de estruturas cognitivas adultas, é o início da adaptação à vida adulta.

Cada um desses periodos é composto por formas diferentes de estruturação mental que permitem as diferentes maneiras do indivíduo relacionar-se com a realidade que o rodeia. Todos os indivíduos vivenciam essas 4 fases na mesma seqüência, porém o início e o término de cada uma delas pode sofrer variações em função das características da estrutura biológica de cada indivíduo e dos estímulos proporcionados pelo meio ambiente em que ele estiver inserido.








REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
WADSWORTH, Barry J. Inteligência e afetividade da criança na teoria de Piaget, 5ª edição, Pioneira

Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos do professor Fernando Becker





Tendo como base o texto do Professor Fernando Becker, que relatou o estudo de três modelos pedagógicos, sustentados, cada um com sua epistemologia:
a) Pedagogia diretiva e seu pressuposto epistemológico;
b) Pedagogia não-diretiva e seu pressuposto epistemológico;
c) Pedagogia relacional e seu pressuposto epistemológico.

Fazendo uma análise e comparando o que foi lido com questões originais sobre o que é conhecimento, como ocorre aprendizagem e como deve ser o ensino da escola, identifiquei que o modelo que mais se assemelha com meu trabalho é o da Pedagogia Relacional.
O aluno só construirá algum conhecimento novo, se ele agir e problematizar a sua ação, através de vivências e experiências. Há uma troca mútua de saberes entre professores e alunos. O professor não é o dono da verdade, ele não ensina, mas sim ajuda o aluno a aprender, agindo como mediador da aprendizagem. Trazendo situações da realidade do aluno, para que aja aprendizagem. A aprendizagem é construção, vivência e tomada de consciência da coordenação das ações entre professores e alunos. O aluno deve ser preparado para agir como um ser crítico, que defende suas opiniões, argumentos e interage com seu meio.
Becker afirma que "o professor acredita que seu aluno é capaz de aprender sempre”. O professor, além de ensinar, precisa aprender o que seu aluno já construiu até o momento.
A formação docente precisa incluir a crítica epistemológica.
Segundo o autor, "uma proposta pedagógica, dimensionada pelo tamanho do futuro que vislumbramos, deve ser construída sobre o poder constitutivo e criador da ação humana.”
Poder-se-á, assim, enfrentar o desafio de partir da experiência do educando, recuperando o sentido do processo pedagógico, isto é, recuperando e (re) constituindo o próprio sentido do mundo do educando... e do educador.”


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


BECKER, Fernando. Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos. In: Educação e construção do conhecimento. Porto Alegre: ARTMED, 2001.